Ao "Hino da Manhã"se refere Eça de Queiroz, como "um dos mais angustiosos lamentos que têm escapado a um forte e altivo coração de homem".
Eduardo Lourenço considera " o mais desesperado dos seus poemas e talvez o mais belo".
Sonetos Completos
Hino da Manhã
Tu, casta e alegre luz da madrugada,
Sobe, cresce no céu, pura e vibrante,
E enche de força o coração triunfante
dos que ainda esperam, luz imaculada!
Mas a mim pões-me tu tristeza imensa
No desolado coração. Mais quero
A noite negra, irmã do desespero,
A noite solitária, imóvel, densa.
O vácuo mudo, onde astro não palpita,
Nem ave canta, nem sussurra o vento´
E adormece o próprio pensamento,
Do que a luz matinal... a luz bendita!
Porque a noite é a imagem do Não-Ser,
Imagem do repouso inalterável,
E do esquecimento inviolável,
Que anseia o mundo, farto de sofrer...
Porque nas trevas sonda, fixo e absorto,
O nada universal o pensamento,
E despreza o viver e o seu tormento,
E olvida, como quem está já morto...
E, interrogando intrépido o Destino,
Como réu o renega e o condena;
E virando-se, fita em paz serena
O vácuo augusto, plácido e divino...
Eduardo Lourenço considera " o mais desesperado dos seus poemas e talvez o mais belo".
Sonetos Completos
Hino da Manhã
Tu, casta e alegre luz da madrugada,
Sobe, cresce no céu, pura e vibrante,
E enche de força o coração triunfante
dos que ainda esperam, luz imaculada!
Mas a mim pões-me tu tristeza imensa
No desolado coração. Mais quero
A noite negra, irmã do desespero,
A noite solitária, imóvel, densa.
O vácuo mudo, onde astro não palpita,
Nem ave canta, nem sussurra o vento´
E adormece o próprio pensamento,
Do que a luz matinal... a luz bendita!
Porque a noite é a imagem do Não-Ser,
Imagem do repouso inalterável,
E do esquecimento inviolável,
Que anseia o mundo, farto de sofrer...
Porque nas trevas sonda, fixo e absorto,
O nada universal o pensamento,
E despreza o viver e o seu tormento,
E olvida, como quem está já morto...
E, interrogando intrépido o Destino,
Como réu o renega e o condena;
E virando-se, fita em paz serena
O vácuo augusto, plácido e divino...
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